quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Ave Maria colhendo flores

Olá, meninas. Faz tempo não publico nada. Mas fiz um poema e gostaria de compartilhá-lo com vocês. Beijos, e espero que gostem.

Ave Maria colhendo flores

Certo dia, tive uma visão como quem desperta, finalmente para a vida.
Vi Maria colhendo flores na casa do vizinho.

O sol brilhava.
Mas cuidava para não murchar Maria.
E assim que chegava perto dela,
Refratava-se na sua pele branca e fria.

Toda a Natureza estava de acordo com aquela moça:
As nuvens se abriam quando chegavam perto dela,
As flores davam risinhos graciosos ao ver Maria passar,
A terra se tornava fofa com sua passagem
E seus pés quase não tocavam o chão.

Com seu toque tudo se iluminava;
À noite, quando apontava o céu,
Era certo de se ter estrelas.
Posto que, cada lugar em que seu dedinho mirava,
Um pontinho de luz aparecia.

Perto do mar, acalmava a ressaca
E fazia parar as tempestades.

E tudo isso fazia sem falar palavra.
Seus gestos e outros sentidos tinham tanta força
Que Deus sabia que, se Maria falasse,
Nós, pobres mortais, não agüentaríamos.

E foi assim, nesse dia,
Pouco antes de morrer, que Maria olhou para mim.
Ela amadureceu meu corpo de menino
Tornando-o forte e viril com seu olhar.
Mas deixou minha alma intacta,
Pois sabia que, para a criança,
O sonho nunca deve morrer.

Veio em minha direção sem desviar de mim em nada.
Sorriu e disse:
Oi poeta!

Um comentário:

rita clark disse...

Rodrigo, que beleza este seu poema, falo da sensibilidade, da percepção do universo feminino pelo qual voce envereda com tanta elegancia e gentileza; a alma (imortal)transcende às arrogâncias do gênero. Parabéns! Bjs, Rita.