OFICINA DE PRODUÇÃO DE TEXTOS LITERÁRIOS E ENSAÍSTICOS
PROFª MARTHA ALKIMIN
PUC- ESPECIALIZAÇÃO -2007
DE: Rita Alencar
DA RENÚNCIA À PAIXÃO
A escrita do poeta não nasce (apenas) da paixão pela literatura, a escrita do poeta antes precisa ser represada, decantada, purificada pelos imponderáveis que a vida o impõe. Muitas vezes o poeta, renunciando ao seu sacerdócio da escrita, nega-se poeta, exilando-se de si mesmo, de sua vocação mais genuína, de sua arte poética.
E nesta negação de si mesmo, nega o verbo vital, nega a seiva de seus caules, inventa caminhos para desvirtuar os leitos de seus rios de metáforas na ilusão arrasadora de que será possível estancá-los sobre doses cavalares de realidade. Seus afazeres inadiáveis socorrem o momento pré-onírico, chamando ao peso da hora a necessidade inadiável do compromisso.
Antes disseram os grandes Poetas, que uma vida teria que se passar para que tal verso viesse à luz, mas é premente a percepção, o olhar, a experiência dos sentidos, a evocação das entidades líricas.
Muitas das vezes o poeta, ao descobrir-se poeta, sofre a dor de sua sensibilidade, sabendo-se vencido por seu determinismo. Como amalgamar verso e chão?? Como compactar ficção e empreendedorismo?? Como viver de poesia afinal? Não há resposta, não há solução, há apenas “...este incontido/ impulso de asas/ sobre meus pés.”( Alencar e Silva . In- “Lunamarga”)
Existem aqueles que abandonam o sonho, porém, esgueiram-se em desculpas consigo mesmos, adiando o momento de prestar contas com o supremo tribunal de suas consciências literárias, buscando recompensas e potes de ouro em searas que só os devastam de insatisfações, mas é o inexorável, é o quê o cotidiano os impinge! E vão dormir sem poder olhar-se profundamente ao espelho, sob pena de se transformarem em estátuas de si mesmos.
Poeta sem sua Arte empobrece, murcha e seca, adormece o gérmem da poesia, petrifica o pensamento, congela a emoção danifica a posteridade ao não revelar seus cânticos e odes, seus hinos de louvor à vida, deixando o mundo à mercê do duro e frio aço pragmático da matéria.
Poeta que é Poeta renasce como Fênix, a ave mitológica que revive de suas próprias cinzas; mais bela e robusta. Assim tornará o Poeta, pronto a travar embates com o verbo em palcos iluminados, ao som de generosos aplausos e vivas!
“Quando meu nome sobre as estrelas for
Para sempre lembrado, por onde se estender
O Romano Império, o povo há de me ler,
E se a visão deste bardo estiver com a verdade,
Meu nome e minha fama viverão na eternidade.” (Ovídio. In-“ Metamorfoses”)
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
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