Varre o vento violento
Varandas vazias de silêncio
Na tarde sacrificada ao momento.
Partes correndo aos meus olhos
Tão incrédulos
Quanto adolescentes
(como assim?)
Abandonas o teu rebanho ao luar?
Devastados e trôpegos e ébrios
Entreolham-se todos
"E agora José?"
Mas agorinha mesmo eu lia com ele...
Como te perdoar se me deixas órfão
Eu que como tu
"Tenho apenas duas mãos"
E tão vivo o desejo de saber-te?
E me deixo dormir ao amanhecer
"Na noite mais noite que a noite"
Terei que decifrar-me sozinho?
Estou preso a ti neste cantar
Infindável, presos a vida e a este
"Tempo de homens partidos."
Vestidos de luto
Guarda-roupas
Folhas secas e musgos
Grito surdo.
A voz, a flor, o sonho
Teus e meus
Irrompem no desassossego quieto
Imóvel, esfíngico,torto e belo
Sob o sol outonal e último
Sob minha pena sedenta
Breve a pelejar com palavras,
Razões e equívocos.
Tolo que sou não percebo
Quão pobre estou a
Debater-me entre versos
Na dolorosa e necessária
"Procura da poesia"...
Não aquela a que louros
Busquem-me o orgulho,
Não, não o lógico,
Não o indizível
Mas, se de minha pena
Brotasse um, apenas um,
Um botão apenas de poesia
Meus olhos, então, mar seriam
E nele pousaria,entre oferendas
De nuvens e valsas,
Minhas mãos
Limpas
Nuas.
domingo, 22 de julho de 2007
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Um comentário:
Rita, seu poema pegou-me no silêncio de minhas emoções, estou no trabalho. Não tive outra escolha, posto que seus versos trouxeram todos os meus sentidos aos olhos: chorei sem querer. Ah, a poesia...
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