terça-feira, 24 de julho de 2007

Carlos, um não-qualquer

No meio do caminho tu estavas, Drummond.
Então, encontrei-me.
A Quadrilha começou a fazer sentido.
Descobri que não era João, nem Maria;
Parecia-me com J. Pinto Fernandes,
Mas também não era ele.

Peguei com as mãos todo o sentimento do mundo
Colocando-o em minhas costas e,
Passeando pelas ruas do Rio de Janeiro,
Como um mineiro perdido,
Orando em meio à multidão dessa cidade,
Chorei e sorri muitas vezes em tua companhia.

Não, nunca fui mineiro, mas pareço-me assim por tua causa,
Meu amigo.
Ajudaste, a mim e a muitos, com tuas palavras e teu espírito circunspecto.
Até sexo aprendi no teu jeito de fazer poesia.
Aprender sexo com um sexagenário! — Foste meu avô poeta que nunca tive.

Numa manhã de setembro, do dia 19,
Ela me beijou o membro,
Era o meu aniversário.

Também já fui gauche.
Porém, confiante do coração,
Ensinaste-me a ser vivo e como isso dói,
E como a poesia é sofrida e como vicia essa cachaça.

Nunca fui à Itabira, mas é como se tivesse nascido lá.
Talvez... um dia nos encontraremos naquelas ruas.
Porque, aqui no Rio, não raro vou até Copacabana:
Para pedir conselho ou dar-te um beijo
No silêncio das altas horas marítimas.

Um comentário:

rita clark disse...

Rodrigo, também fiquei emocionada com o seu belo poema! A poesia, a sua dolorosa mas necessaria criação, tem esse poder mágico,de(e)levar-nos à recantos paradisíacos dentro de nós mesmos. Parabéns! Bjs, Rita